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O futuro é o agora: velocidade é o nome do jogo

Parafraseando um famoso publicitário brasileiro, eu diria que talvez seja a nossa hora de vender lenços, não de chorar


5 de novembro de 2021 - 13h51

Recentemente, o Facebook apresentou ao mundo a sua nova marca, a Meta. Quando uma empresa cria uma nova marca, algo de muito sintomático está acontecendo. É o caso em questão: Mark Zuckerberg está dizendo que é hora de propor um avanço na maneira de existirmos e de nos relacionarmos uns com os outros. Para Zuckerberg, o futuro será sobre o meta universo, ou seja, a tecnologia irá nos conectar com as pessoas em um universo artificial, paralelo à realidade.

O futuro é agora (Créditos: Divulgação)

A mudança da marca do Facebook não é apenas sobre propósito, no entanto. O real nome desse jogo é: velocidade. 

Nos provocar a mudar a nossa maneira de nos relacionarmos entre si e com o mundo, Zuckerberg já fez isso antes. Quando fundou o Facebook, em 2004, junto com os seus colegas alunos da Universidade de Harvard, Zuckerberg causou uma disrupção no estado das relações humanas com o seu propósito de “dar às pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo“, segundo o seu próprio site. Agora, 17 anos depois, está adaptando a razão de ser da plataforma ao novo mundo e ao surgimento de novas tecnologias digitais emergentes.

É por essas e outras que Jacob Benbunan, CEO e Co-Fundador da Saffron Brand, afirmou em painel no Web Summit que nos dias de hoje já não é mais possível concordar plenamente com o conceito de que se leva muito tempo para se construir uma marca. A todo momento, nesta Economia Digital, nascem e morrem milhares de empresas e marcas como consequência da disrupção causada pelo ápice tecnológico. O Facebook morreu um pouco ao se tornar Meta. Empresas como Uber, Airbnb, Nubank Tesla, em breve deverão morrer também, ainda que simbolicamente. A maioria delas talvez não consigam ter mais do que 20 anos de vida.

O que poderia ser visto como algo pessimista, em verdade, é animador: velocidade é a regra do jogo porque o consumidor se acostuma com mais e mais novas tecnologias; mas, ao mesmo tempo, na maioria das vezes, ele não é capaz de identificar a sua real necessidade. São as marcas e as empresas, com os seus propósitos bem definidos e a sua capacidade de adaptação a cenários desafiadores que irão dar o tom desta conversa, como bem está fazendo o Facebook.

Casos emblemáticos: Blockbuster e Netflix

A disrupção causada pelo digital afeta toda e qualquer indústria. A Economia Digital pressupõe velocidade, agilidade e ousadia para que marcas tenham que até mesmo mudar o seu principal tipo de produto.

Quem não se lembra do caso emblemático das marcas Blockbuster e Netflix? A segunda foi oferecida à primeira, e o então CEO e sua equipe decidiram seguir com o seu modelo atual e acabaram fechando as portas, enquanto a Netflix se tornou uma das maiores marcas de streaming de vídeos do mundo.

O mesmo vale para a indústria da música. A Apple trouxe o iPod e apresentou ao mundo um conceito de música, mas ela não lidera o mercado. Empresas como Spotify, Deezer e o próprio Music, da Apple, estão brigando por espaço no mercado.

Por sua vez, a mesma Netflix, que reinou soberana por alguns poucos anos, agora está em apuros na nova corrida pelos streamings de entretenimento. Além dela, estão na disputa a Disney e as novas plataformas que ainda não conhecemos, mas que estão sendo criadas todos os dias.

Destruição criativa

Joseph Schumpeter, pensador e economista austríaco, é o pai da ideia que cunhou de “destruição criativa”, ou seja, como a inovação e a constante corrida pela obsolescência das coisas é a única maneira de realmente infundir o progresso na sociedade em que vivemos, sob a égide do capitalismo.

Hoje, 100 anos depois, a teoria de Schumpeter se mostra contemporânea. A constante mudança das marcas –seja no tipo de oferta, no tipo de valor agregado, no tipo de produto ou serviço, ou na evolução do propósito– é a única forma de sobrevivência na atual economia dominante. Andreas Markdalen, CCO Global da Frog Design, disse aqui no Web Summit que marcas como Apple e Amazon, que há muito tempo já não são mais as mesmas no tipo de produtos e serviços que oferecem, estão ajudando a criar um novo consumidor, que também tem uma mentalidade “always beta” e que já não se assusta quando as marcas constantemente se apresentam de uma maneira nova para ele.

Parece, portanto, fazer cada vez mais sentido aceitar que as marcas precisam reiterar e redefinir continuamente qual é o seu propósito. Nas palavras de Andreas, o que está acontecendo é que as marcas estão deixando de se perceberem como uma entidade imutável e assumindo papéis mais humanos: podem errar e acertar; mudar a roupa, o penteado…

Para mim, a principal mensagem que este Web Summit nos deixa é: o futuro é agora, e velocidade é o nome do jogo. E não devemos nos assustar.

Parafraseando um famoso publicitário brasileiro, eu diria que talvez seja a nossa hora de vender lenços, não de chorar.

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