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“É possível consertar a web?”

O poder para mudar o que está errado ainda está nas nossas mãos


5 de novembro de 2021 - 14h10

Começo minha reflexão pela pergunta de um jornalista ao pai da internet no palco do último do WebSummit 2021. E a resposta foi sim, simplesmente porque muitos de nós queremos uma internet melhor e mais ética.

Web Summit voltou a ser presencial em 2021, após dois anos da última edição ao vivo, em 2019 (Créditos: Zoran Orcik/Shutterstock)

Não foi a primeira vez que ouvi Sir Tim Berners Lee falar, nem a primeira vez que vejo ele pedir desculpas sobre o que criou em 1989, mas mais do que a criatura, o questionamento está nos caminhos que ela tomou.

Sir Tim comenta que criou a internet para coisas grandiosas, e banais, mas focadas no usuário, nas facilidades que isso traria a todos colocando muito em posição de igualdade, e de certa forma empoderando a nós, mas esse poder mudou de mãos, e hoje o controle das big techs e sua abordagem (controversa) para coletar grandes quantidades de dados do usuário faz com que os caminhos estejam errados.

“O vencedor é aquele que cria os dados, e o perdedor são todos os outros”. É uma corrida injusta, mas podemos mudar isso e as decisões que tomarmos nos próximos meses vão definir a próxima era da web.

Essa concentração do poder nas mãos de poucos chega também a ponta dos aplicativos, 90% deste mercado estaria nas mãos de Apple e Google, que tem atuado como porteiros das tecnologias, e o mercado se tornando cada vez menos competitivo, e com um poder de destruição brutal. “Existem tão poucas empresas dispostas a falar sobre esse assunto. Eles estão com medo” comentou Horacio Gutierrez do Spotify ao apresentar a Coalition for App Fairness.

Essa coalisão conta com mais de 60 empresas de tecnologia e muitas outras apoiam seus objetivos. Eles se uniram para de alguma forma fazer frente a esses gigantes, sobretudo a Apple. Trazendo mais um ponto interessante nesta discussão quando questiona por que os aplicativos são permitidos no Mac mas não no iPhone, alegando uma suposta falta de ética da empresa.

Voltando ao ponto dos primórdios da internet, e dos princípios de empoderamento do usuário, e o que nos faz crer nesta salvação da tecnologia mesmo com uma briga injusta, discutimos o papel das comunidades online na sociedade e seu impacto no mundo real.

Comunidades como o Reditt estão dando às pessoas o poder de influenciar diretamente as instituições das quais antes estavam bloqueadas. “Nós realmente acreditamos na ideia de empoderamento”, foi a frase marcante de Jen Wong, COO da companhia. “Acho que a descentralização é algo que veremos mais. Isso ocorre porque os usuários desejam participar desses ecossistemas e instituições que nunca foram transparentes para eles” Lembrando do episódio do WallStreetBets e mercados financeiros durante a pandemia.

E sobre esse poder do usuário, uma dica aos marqueteiros é “Definitivamente comece ouvindo o seu consumidor, mas para fazer parte da comunidade, seja curioso; pergunte. Trate a comunidade e os usuários como pessoas inteligentes,
mostrando que você se preocupa com a opinião deles.”

Fico feliz em saber que não é utópico pensar que podemos consertar a internet, e com esse poder desenhar um futuro melhor para todos nós.

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