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Transformação sustentável começa pela percepção da realidade

Sebastien Kopp, da Veja, conta sobre a jornada na construção de uma marca que segue padrões ecológicos e discorre sobre os desafios de adaptar a realidade em prol de práticas sustentáveis

Giovana Oréfice
3 de novembro de 2021 - 8h58

Sebastien Kopp é cofundador e diretor criativo da Veja (Crédito: Cody Glenn Sportsfile/GettyImages)

Fundada em 2004, a Veja — que veio ao Brasil pelo nome Vert — nasceu a partir do preceito da produção consciente. Referência em sustentabilidade, a marca de tênis foi concebida por dois franceses em busca de uma “aventura”, com 5 mil euros no bolso. Dezessete anos depois, Sebastien Kopp, um dos fundadores, contou mais sobre a Veja e os processos produtivos à Bryony Collins, editora da Bloomberg, durante painel sobre marcas e sustentabilidade no início do terceiro dia de Web Summit.  

“Tentamos criar um diferente tipo de tênis que fosse feito diferente”, disse. “Nós não sabíamos nada sobre essa indústria ou sobre a indústria da moda, não éramos bons até mesmo em assuntos sobre o meio ambiente, então substituímos a falta de conhecimento pela pesquisa de campo”, contou Sebastien. A ideia inicial era produzir tênis como o “Converse”, feito de algodão. O produto, dentro da agropecuária, é responsável por 30% de todos os pesticidas usados no planeta. Assim, a história da Veja, marca francesa, teve início no Brasil. As condições de trabalho, em termos de carga horária e remuneração, por exemplo, diferem muito da Ásia, um dos pólos de produção de itens de moda. 

A dupla de fundadores veio até o País em busca de produtores do material orgânico. Sebastien relembra que a primeira compra do insumo foi feita de uma cooperativa, a 40% a mais do valor de mercado, uma forma de demonstrar o valor dos trabalhadores e da produção ligada ao algodão. O mesmo foi feito na Amazônia, em busca de materiais sustentáveis. Atualmente, a companhia conta com 250 colaboradores e se baseia no conceito de “realidade” e não “sustentabilidade”. “Nós mantemos os mesmos preceitos: campo, trabalho, e não discursos ou besteiras. Conhecemos as pessoas que trabalham, os limites, os problemas e a realidade”, ressaltou Sebastien.

“Queríamos fazer um tênis ecológico no início, mas também um produto que respeitasse a justiça econômica e social. Para nós, trabalhar no Brasil foi importante porque os trabalhadores são bem tratados”, contou. “Nós não fazemos muitas coisas, mas o que procuramos fazer é conectar projetos incríveis entre si”, acrescentou Sebastien, ao ser questionado por Bryony sobre a companhia francesa responsável pelas embalagens e logística da Veja. A marca sustenta-se a partir de vários fornecedores e parceiros, o que garante que cada passo da cadeia produtiva seja integrado em programas sociais e ecológicos. 

Há cerca de três anos, a Veja lançou um estudo para medir a emissão de carbono de maneira diferente das demais empresas. O levantamento procurou ir afundo nos passos de produção para saber onde era possível melhorar. Com a aferição do impacto para saber de onde as maiores emissões se originam, a Veja foi capaz de diminuir isso em 40%. “É interessante medir emissões de CO2, porque é possível saber onde agir e ter as soluções de imediato”, apontou. Nesse sentido, a companhia está sempre em busca dos melhores materiais para dar origem a seus produtos, jornada que dura em média de dois a três anos. A Veja já veio ao Brasil em busca de garrafas recicláveis no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Investimento direcionado

Todos os processos citados por Sebastien não seriam possíveis, claro, sem dinheiro. O fundador explicou que não possui gastos com publicidade: a Veja não está presente em anúncios no Instagram, Facebook e muito menos em ações com celebridades e influenciadores digitais. Toda a verba é direcionada para a cadeia de produção. “Não trabalhamos com utopia. Agimos na criação e tentativas de diferentes caminhos. Muitas vezes, nós fracassamos, e está tudo bem”, explicou. 

Em relação à grandes marcas do segmento, como Adidas e Nike, o fundador da Veja explicou que, quando empresas atingem um certo nível de sucesso, é difícil mudar o que está funcionando. “Por quê mudar? Essa é a grande pergunta de hoje. Se dois franceses de 25 anos que não sabiam nada sobre nada conseguiram fazer isso [agir na mudança], grandes marcas também podem”, reforçou. 

Para ele, a mudança parte do princípio de enxergar problemas reais, e que os shareholders — que detém o poder sobre as empresas — são os primeiros responsáveis na sua visão. Sebastian finalizou seu discurso dizendo que, como consumidores, buscar conhecimento e informação é fundamental, induzindo o fato de que fazer com que o mundo mude é papel de todos. 

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