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Sustentabilidade na moda: a próxima revolução industrial

O respeito aos limites do planeta é muito mais que “uma trend”, deixaram claro os palestrantes do palco dedicado à relação entre moda e tecnologia

Roseani Rocha
8 de novembro de 2019 - 6h52

Anna Gedda, chief sustainability officer da H&M: é necessária uma transformação sistêmica de toda a indústria (Crédito: Vaughn Ridley/Web Summit)

Embora já seja possível ouvir discursos muito mais empenhados do mundo fashion em relação às questões de sustentabilidade, ainda há muito que essa indústria pode – e muitos consideram que será obrigada – fazer.

Vários protagonistas da produção de moda trataram do assunto no último dia do Web Summit, no palco Modum. Lisa Lang, fundadora e CEO da ElektroCouture e The Power House, e Amber Jae Slooten, sócia-fundadora da The Fabricant, trouxeram à tona o assunto robótica aplicada ao mundo fashion, no sentido de que, segundo Amber, “essa indústria não foi construída ainda para o século 21”. Fazia referência principalmente ao fato de ser um segmento que produz e queima muita coisa, desperdiçando recursos naturais, ao passo que criar coleções digitais que só serão produzidas de acordo com a demanda efetiva dos consumidores é algo que ainda enfrenta resistência das marcas, mas é o futuro e um paradigma a ser quebrado.

“O cenário é propício para as empresas existentes mudarem”, disse Lisa, lembrando que este seria um movimento tão arrojado quanto foram, para sua época, as rupturas causadas por Coco Chanel na moda.

Já Anna Gedda, chief sustainability officer da fast fashion H&M, usou o exemplo de uma calça jeans para demonstrar todas as mudanças que a empresa vem buscando implementar para se tornar mais sustentável. As ações vão desde as matérias primas (o algodão reciclado elimina 19% dos químicos usados no processo de produção). Hoje, 57% dos materiais utilizados, disse Anna, são reciclados ou orgânicos e a meta é que cheguem a 100% em 2030.

No campo social, já que a moda tem 80% de sua produção concentrada na Ásia, onde pessoas são contratadas por salários miseráveis, em países como Bangladesh, a H&M tem trabalhado em parceria com governos e associações de trabalhadores para melhorar o quadro. Já no que diz respeito a lojas e vendas, 96% da energia usada nos PDVs e escritórios vêm de fontes renováveis, como energia solar.

E até o uso que as pessoas fazem dos produtos é avaliado. “Vinte por cento do impacto no clima vem do uso dos consumidores, por isso temos uma iniciativa chamada ‘Take Care’”, comentou. É um programa voltado a fazer as roupas durarem mais, com direito a reparos e customizações, inclusive.

A executiva da H&M reconhece não ter todas as respostas, mas também diz que não cabe somente à sua rede a mudança. Será necessária uma transformação sistêmica de toda a indústria, por isso tem trabalhado em algumas iniciativas conjuntamente até com seus concorrentes mais acirrados.

Katrin Ley (managing director do Fashion for Good), Charlotte Nisbet (CMO da Lush) e Simon Beckerman (fundador da Depop) também comentaram sobre novas iniciativas, principalmente de reciclagem e aluguel de roupas que demonstram que sustentabilidade na moda ano é uma tendência, mas algo que veio para ficar. Principalmente para as novas gerações, novos modelos e formas de lidar até com a posse das roupas farão, segundo eles, a indústria da moda passar por uma revolução tão significativa quanto passou recentemente a da música.

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