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“Uso de dados demanda olhar de investidor”

Eduardo Jurcevic, CEO da WebMotors, reforça que a mentalidade data driven vai além do conhecimento sobre o consumidor, passa por um investimento mais assertivo

Luiz Gustavo Pacete
6 de novembro de 2019 - 17h12

Eduardo Jurcevic: “O Web Summit é reconhecido como um dos maiores eventos de tecnologia, empreendedorismo e inovação do mundo”

A discussão sobre o papel dos dados na transformação das empresas passa, na maioria das vezes, pelo conhecimento em relação à jornada do consumidor. No entanto, existe outra perspectiva sobre o tão discutido conceito de data driven: o uso de dados como fator determinante em investimentos. Essa é a premissa de Eduardo Jurcevic, CEO da plataforma WebMotors.

De acordo com Jurcevic, o uso de dados vai além de tecnologia, ele demanda maior consciência sobre os rumos do negócio. Com participação do banco Santander, a WebMotors vem evoluindo para ser uma plataforma de inteligência de dados e, neste contexto, qualquer ação da empresa é determinada por dados. Presente no Web Summit, ele falou ao Meio & Mensagem sobre o desafio do uso consciente – do ponto de vista de negócios – dos dados.

Meio & Mensagem – Qual o modus operandi da WebMotors considerando que ela é uma empresa de dados, como é fazer a gestão e quais os desafios deste processo?
Eduardo Jurcevic – Já faz algum tempo que os dados na Webmotors são tratados como um dos principais ativos. Além de uma gestão centralizada, tanto por uma questão de governança, como de segurança – há especialistas que usam os dados específicos para cada uma das frentes, seja para otimizar investimento, melhorar a experiência do usuário, provisionar alguma área como atendimento ou comercial para alguma previsão e para trabalhar reports e indicadores de mercado. A riqueza de tudo isso é conseguir transformar os dados em melhoras efetivas para o usuário.

“Aquelas indústrias que não usarem os dados para tomarem as decisões do presente e do futuro, correm o risco de ir por um caminho sem volta, já que podem investir errado”

 

Muito se discute, e não é novo, o papel dos dados na forma das empresas fazerem negócios, o que você diria sobre esse papel e o impacto que ele ainda vai causar em várias indústrias e segmentos?
No dia-a-dia, temos a disciplina de tomar qualquer decisão baseada nos dados. Desde mudar a cor de um texto até desenvolver um novo produto. Tudo parte de hipóteses e premissas baseados em dados, tanto de navegação como de pesquisas e estudos que são realizados praticamente todos os dias pelos times. Hoje já é uma necessidade básica das empresas a criação de um repositório único de dados para a integração de informações e canais, criando assim a possibilidade de uma experiência unificada e possivelmente personalizada ao longo da jornada, independente do ponto de contato inicial. Aquelas indústrias que não usarem os dados para tomarem as decisões do presente e do futuro, correm o risco de ir por um caminho sem volta, já que podem investir errado. Na nossa indústria especificamente, o que acontece é que toda jornada hoje é antecipada; acontece online e todo o comportamento do usuário gera dados sobre o seu hábito de consumo, suas necessidades, suas preferências e tudo mais que puder ajudar a tomar a melhor decisão.

Quais os desafios das empresas em relação ao amadurecimento no uso de dados? Passa por tecnologia? Por cultura? Investimento?
Passa por tudo isso. O primeiro sem dúvida é cultural, é preciso que se tenha consciência, vontade e iniciativa de se usar dados para se tomar decisões e guiar o negócio, isso em todos os níveis da empresa. Sem isso, não adianta investir, não adianta ter tecnologia. Os próximos passos tem como base 3 pilares: Investimento de tecnologia, treinamento de pessoas com a criação de novas profissões e gestão da cultura digital. Com a chegada da LGPD acredito que mais um passo importante será dado, pensando muito no usuário e na segurança. Isso também será um desafio muito grande para as empresas. Quem esperar para ficar preparado, com certeza vai se atrasar, sofrer e correr altos riscos com as mudanças.

“Costumo dizer que estamos na era do “E” e não do “OU”. Hoje, temos cada vez mais opções para se transportar pela cidade – carro próprio, carro de aplicativo, bike, patinete, ônibus, metrô”

 

De que maneira que os dados estão impactando o setor automotivo?
Com o uso de dados, a tendência é que as empresas como as montadoras passem a oferecer soluções de mobilidade cada vez mais inteligentes ao invés de apenas um carro. Hoje várias delas já dão sinais disso e já tem produtos em estágio inicial em vários países. Costumo dizer que estamos na era do “E” e não do “OU”. Hoje, temos cada vez mais opções para se transportar pela cidade – carro próprio, carro de aplicativo, bike, patinete, ônibus, metrô, etc – e as empresas já estão olhando para essa intermodalidade. Essa nova realidade só existe porque surgiu a partir novas demandas de comportamento e consumo do passageiro/consumidor/usuário, que são cada vez mais conectados, imediatistas e exigentes, gerando informações o tempo todo que podem ser aproveitadas pelas empresas. De acordo com o Webmotors Autoinsights, 87% das pessoas consideram comprar um carro elétrico e 49% acreditam que eles serão mais comuns que os outros tipos de automóveis no futuro. Porém, os consumidores não adquirem esse tipo de veículo pois enxergam dificuldades, como o alto custo do veículo e a falta de infraestrutura para o abastecimento de energia.

O que você vem buscar no Web Summit e qual a relevância do evento para a discussão sobre dados, automação e consumo?
O Web Summit é reconhecido como um dos maiores eventos de tecnologia, empreendedorismo e inovação do mundo. Na Webmotors, temos bastante clareza do futuro que nos espera e um dos grandes investimentos que fazemos é em entender as tendências de outros mercados, trocar experiências com outras empresas e segmentos. A ideia aqui é simples, levar os principais insights, ideias e evoluções para o time discutir e implementar, afinal, temos como convocação buscar sempre liderar movimentos disruptivos.

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