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Festivais de inovação: experiência e conteúdo

Apesar de pertencerem ao mesmo “reino”, CES, MWC, SXSW, C2, Rise e Web Summit são de “espécies” diferentes e se modificam conforme o contexto cultural

Luiz Gustavo Pacete
3 de novembro de 2019 - 20h00

O Web Summit é o grande evento de tecnologia que “fecha o ano” na Europa (Crédito: Divulgação Web Summit)

O que conecta os festivais de inovação pelo mundo afora? Em um primeiro momento, várias respostas poderiam surgir para essa pergunta. As discussões intensas sobre o impacto da tecnologia no comportamento humano? Ou o papel das startups no processo de transformação de grandes empresas? O fato de o inglês ser a língua oficial talvez? Ok. A lista é longa. Mas existe um elemento transversal aos eventos de inovação que são compostos pelo tripé: cultura local, visão global e impacto coletivo.

Provar o churrasco texano e compreender que Austin é uma ilha liberal em meio ao Texas muda toda a perspectiva sobre o South by Southwest (SXSW). Contextualizar a conexão da Consumer Electronics Show (CES) ao entretenimento tecnológico de Las Vegas já é um aprendizado. Colocar as gastronomias espanhola e portuguesa na agenda dos respectivos Mobile World Congress (MWC) e Web Summit é um elemento importante. Ou se desafiar nas ruas de Hong Kong durante o Rise é um grande aprendizado. Por fim, entender o contexto histórico da cidade onde nasceu o Cirque du Soleil durante um evento de experiências como o C2, em Montreal, também faz parte do pacote.

Ainda que tenham propostas, públicos e linguagens muito diferentes, todos esses eventos que compõem uma rota de inovação com base em conteúdo e experiência focam na premissa de que o mundo está complexo e nunca fez tanto sentido que as pessoas se reunissem em torno de buscar como fazer as melhores perguntas para responder a esses desafios. Neste contexto, adicionar elementos tão importantes como cultura, contexto político e social e por que não, gastronomia, é muito mais do que consequência, faz parte da experiência.

Vanessa Mathias, cofundadora da consultoria de tendências White Rabbit, afirma que existe um movimento atual de festivais se autointitularem maior festival de inovação. “Alguns que ganharam visibilidade foram o C2 Montreal, o Rise na China (que é da família do Web Summit) e o Slush, também na China.” Em meio a tantas opções, no entanto, Vanessa alerta que é importante ter objetivos claros. “Você quer fazer networking? Conquistar investidores? Encontrar startups? Abrir a mente? Fazer uma listinha dos seus objetivos específicos (inclusive de conteúdo) é fundamental. E com isso em mãos, conversar com pessoas que foram nos eventos, olhar a programação com detalhes e não só por cima, faz toda a diferença”, diz ela, lembrando que, no caso do Web Summit, a principal característica do evento é trazer um mix de visões e vivências de empresas europeias, americanas e asiáticas.”

Franklin Costa, consultor especialista em festivais e criador da ØCLB travel, um programa de experiências imersivas em grupo para eventos de economia criativa, explica que a tendência é colocar os inúmeros festivais de inovação atualmente em um mesmo grupo, mas eles são muito distintos entre si. “São todos do mesmo ‘reino’, mas as ‘espécies’ são diferentes. Isso depende principalmente do contexto em que foram criados. O momento, o local, os valores dos seus fundadores. Tudo isso tem uma influência direta sobre o que cada um entrega e de que forma. “É importante analisar que existe um contexto geopolítico muito mais amplo por trás das discussões. China e EUA estão disputando o monopólio da tecnologia 5G, que na verdade é a ponta do iceberg de uma “guerra” muito mais profunda, isto é, quem vai ditar os rumos das inovações tecnológicas no mundo. Para quem quer fazer negócios na China (e Ásia), ou para quem busca um olhar sobre como a tecnologia está mudando o mundo em que vivemos, visitar esse país e frequentar os seus festivais é interessante. Sobre o ponto de vista cultural, porém, a China ainda é um país extremamente fechado”, explica, reforçando que festival de inovação não é o mesmo que festival de tecnologia. “Inovação é uma camada acima da tecnologia. Elas estão interligadas, mas não necessariamente para inovar é necessário tecnologia.”

Experiência como negócio

Para Cleber Paradela, head of brand experience da 99, houve também, nos últimos dez anos, uma oportunidade de negócios que culminou ou no surgimento, ou no fortalecimento de muitos desses eventos. “Antes, você precisava viajar para os Estados Unidos para se atualizar sobre o que estava acontecendo no mundo da tecnologia. Eventos como o SXSW, CES, Techchrunch, Google I/O, Apple WWDC, Facebook F8, Wired Festival e TEDGlobal pautavam o que seria discutido e consumido em tecnologia nos próximos anos. O lucrativo e atraente modelo desses eventos acabou inspirando milhares de empreendedores a criarem suas próprias versões locais dos festivais de inovação. Foi assim que nasceram, por exemplo, o Web Summit, o Pause Fest, em Melbourne, e MWC, em Barcelona. Esse movimento também passou a exportar os grandes selos americanos para outros países, como TedGlobal, Wired Festival e SU Summit, para citar apenas três exemplos que vieram ao Brasil nos últimos anos.”

Esses eventos também vêm atraindo com cada vez mais frequência profissionais de marketing e publicidade. Marina Pires, professora da Miami Ad School e ex-diretora de estratégia da Africa, que ao longo dos últimos dez anos esteve ininterruptamente no SXSW, explica que muitos desses eventos atraem a atenção de publicitários porque refletem os desafios dos clientes, “que têm ficado cada vez mais complexos e as referências exclusivamente publicitárias não têm dado conta deles. As soluções mais interessantes têm emergido de intersecções entre disciplinas que antes não nos pareciam conectadas como a biologia e a arte, a filosofia e a engenharia ou entre responsabilidade social e tecnologia. Esses festivais abrem espaço para as novas sinapses e ‘desviciam” um pouco o olhar”, explica.

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